Feed on
Artigos
Comentários
Quando fechamos uma porta em cima do próprio dedo, dói. Quando acordamos de manhã e no momento em que nos espreguiçamos sentimos uma cãibra na  perna… dói. Quando batemos com o cotovelo na quina da mesa, dói. Quando enfiamos o pé num buraco e torcemos o tornozelo, dói. Dores que são dificeis de suportar.
Mas, sinceramente, mesmo somando todas essas dores e multiplicando por mil, não consigo encontrar nada que doa mais do que ficar com alguma coisa entalada na garganta: as palavras, ou o sentimento que não se conseguem dizer porque se precisa do fôlego e da força para conter as lágrimas.
E mesmo assim, somando todas essas dores multiplicadas por mil, não consigo encontrar nada que doa mais do que a saudade que nem sequer sabia ao certo que tamanho ia ter. Uma saudade que sinto tão grande, que é dificil descrever porque ninguém ia entender. Que mesmo antes de existir já lá estava e que tínha a certeza que teria o seu quê de infinito. Sem prazo apra acabar. Sem a menor possibilidade de colocar um calendário sobre a mesa para poder ir riscando os dias. Pelo meio do caminho, a gente aprende um monte de coisas semi-inúteis como a receita do molho bechamel, a capital da Eslovénia ou o nome científico do arbusto, mas não aprende a apagar coisas da nossa mente. Existem partes a cortar. Sério. Queria apagar muitas delas. Queria apagar aquela madrugada fria de há 2 anos atrás. Queria apagar todas as manhãs em que abri os olhos e ela já não estava. Queria apagar aquele nó no peito e ficar assim, tranquila, enquanto a vida desliza, sem que nada atrapalhe a mudez da alma.
E vai ser longa. A vida.

margarida 10 anos

margarida2.jpg

Em nome de algo maior que as palavras, aqui, nada mais será dito.