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“How much do I love you?
I’ll tell you no lie
How deep is the ocean?
How high is the sky?

How many times in a day
Do I think of you?
How many roses
are Sprinkled with dew?
How far would I travel
Just to be where you are?
How far is the journey
From here to a star?

And if I ever lost you
How much would I cry?
How deep is the ocean?
How high is the sky?”

ETTA JAMES

Quando fechamos uma porta em cima do próprio dedo, dói. Quando acordamos de manhã e no momento em que nos espreguiçamos sentimos uma cãibra na  perna… dói. Quando batemos com o cotovelo na quina da mesa, dói. Quando enfiamos o pé num buraco e torcemos o tornozelo, dói. Dores que são dificeis de suportar.
Mas, sinceramente, mesmo somando todas essas dores e multiplicando por mil, não consigo encontrar nada que doa mais do que ficar com alguma coisa entalada na garganta: as palavras, ou o sentimento que não se conseguem dizer porque se precisa do fôlego e da força para conter as lágrimas.
E mesmo assim, somando todas essas dores multiplicadas por mil, não consigo encontrar nada que doa mais do que a saudade que nem sequer sabia ao certo que tamanho ia ter. Uma saudade que sinto tão grande, que é dificil descrever porque ninguém ia entender. Que mesmo antes de existir já lá estava e que tínha a certeza que teria o seu quê de infinito. Sem prazo apra acabar. Sem a menor possibilidade de colocar um calendário sobre a mesa para poder ir riscando os dias. Pelo meio do caminho, a gente aprende um monte de coisas semi-inúteis como a receita do molho bechamel, a capital da Eslovénia ou o nome científico do arbusto, mas não aprende a apagar coisas da nossa mente. Existem partes a cortar. Sério. Queria apagar muitas delas. Queria apagar aquela madrugada fria de há 2 anos atrás. Queria apagar todas as manhãs em que abri os olhos e ela já não estava. Queria apagar aquele nó no peito e ficar assim, tranquila, enquanto a vida desliza, sem que nada atrapalhe a mudez da alma.
E vai ser longa. A vida.

margarida 10 anos

margarida2.jpg

Em nome de algo maior que as palavras, aqui, nada mais será dito.

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